terça-feira, 11 de março de 2008

Liz e a Síndrome do reconhecimento súbito da própria mortalidade"



I

Liz Adhara, a menina mais bonita da escola, morreu em fevereiro de 2008, com menos de 30 anos. Quando morre uma pessoa jovem, querida e inteligente dá raiva, perplexidade e medo. Dá uma tristeza tão grande, que é difícil não chorar várias vezes por dia por ela, pela mãe, pelo irmão e pelo marido, que teve a delicadeza de perguntar da Bebel.

“Bem e mal fluem em mistério”. Para uma agnóstica, como eu, que suspeita de causalidades transcendentes, uma morte como essa fica sem um Sentido, porque é tudo “som e fúria significando nada”. Na Missa de 7° Dia, escutar aquela conversa de que “ela deve estar feliz” me dá raiva e vontade de gritar: “feliz p**** nenhuma”. A morte é nossa única certeza, e acreditar em algum tipo de consciência pós-morte dá consolo e esperança. Não acreditar em nada joga na cara um estupor límbico desesperador.

II

Depois da morte da Liz, eu que já estava com umas palpitações, piripaqueei de vez. Tinha umas coisas que vinham vindo, vinham vindo e eu tinha que sentar, respiração ofegante. Fui parar no hospital e o médico descartou problema cardíaco.

Depois começou a paranóia. Recebi uma dessas correntes (que não vou adjetivar mas que deixo minha opinião implícita) falando que eu ia ter uma surpresa na sexta, dia da missa de 7° dia e de uma viagem longa, de madrugada, na chuva. “Tô frita”, pensei.

Cheguei da tal viagem estropiada pela tensão, cansaço e frio com um baita torcicolo que, segundo o Merck, tem causas emocionais. Identifiquei o conjunto de sintomas como a “Síndrome do reconhecimento súbito da própria mortalidade”.

III

Nunca tive medo de morrer. Agora eu tenho e sou responsável por uma vida mais importante que a minha própria. È um sentimento que nasceu com a maternidade. Minha mãe falava que “algumas coisas a gente só entende depois que tem filhos”. O medo diante da falta de controle sobre as circunstâncias foi uma dessas coisas.

Se eu acreditasse em um deus antropoformizado que escuta e atende seus crentes, teria dois pedidos, duas preces: saúde e segurança para a minha prole e, se der, para conhecer a minha 4° geração, como as minhas avós.

1 comentários:

pri disse...

Queria deixar um pensamento de um humanista argentino, criador da Sabedoria Logosófica, Gonzalez Pecotche, para reflexão: "Sei muito bem que a você, como a todos os jovens, coube viver em uma época bastante difícil, seja pela convulsão mental de quase todos os seres que habitam o mundo, seja porque o próprio futuro se tornou incerto para aqueles que, como você, necessitam edificar um porvir. Não obstante, apesar deste panorama desalentador, É me permitido dizer que sempre, em todos os momentos de sua vida, por amargos que sejam, confie firme e decididamente em Deus.
Tão somente Seu nome, tão somente Sua recordação serão suficientes para reconfortar seu espírito e o animar nos transes difíceis, fazendo com que as angústias que o atormentam passem sobre você sem afetar seu coração nem debilitar sua vontade. Mas seja digno d'Ele recordando-O também em seus momentos de felicidade. Que sempre seja Deus quem presida suas horas de alegria, oferecendo Lhe, do mais íntimo do coração, sua gratidão por tudo o que Lhe deve e possui em felicidade, em conhecimento, em conforto, em triunfos. E quando o fizer, recordará, sem dúvida, quem lhe ensinou estas coisas e ainda seu exemplo, no qual encontrará os mais edificantes motivos para inspirar sua inteligência e seu coração." Esse trecho é do livro Bases para sua conduta que ele escreveu para seu filhos.
Espero ter ajudado.
Priscilla